"Quero Um Projecto em Que Possa Pensar no Pódio"
Terça-feira, 18 de Janeiro de 2005
O 7º lugar final obtido no Rali Dakar é o menos importante para Carlos Sousa. Importante é o facto de ter deixado "uma marca bastante forte" entre as equipas oficiais. A Nissan e a BMW surgem como duas fortes possibilidades para o futuro. Por Ana Paula Gouveia
Carlos Sousa já é um veterano no Dakar, onde há dois dias terminou a sua nona participação. Depois de mais de uma década ligado à Mitsubishi, o piloto português trocou este ano a marca dos três diamantes pela também nipónica Nissan, onde integrou a equipa B. Um 7º lugar na geral (onde chegou a ser 4º) e o primeiro lugar entre os privados despertaram as atenções das equipas oficiais, como foi o caso da BMW, com quem o piloto esteve reunido após o final da prova em Dakar.
PÚBLICO - Antes do início da prova dizia que o seu maior receio era o pouco conhecimento que tinha da Pick Up, afinal parece que não havia motivos para tal... Carlos Sousa - "O meu receio estava relacionado com a noção de que é preciso começar a trabalhar mais cedo com o carro quando se quer ficar mais perto do pódio. Apesar disso, penso que tivemos uma boa prestação e que o resultado final não traduz o nosso desempenho. Pelo 'feedback' que tenho tido acho que deixei uma marca bastante forte. Fizemos um excelente trabalho, mas acho que podíamos ter feito muito melhor se tivéssemos tido mais tempo para trabalhar."
O problema mecânico que teve [o cubo da roda direita dianteira gripou] na 10ª etapa também não ajudou a que o resultado fosse superior?
"Perdi 7 horas e a hipótese de ficar entre os cinco primeiros. Andámos sempre entre os pilotos da frente, mesmo nas etapas mais duras, naquelas que decidiram o Dakar e, por isso mesmo, julgo que o nosso 7º lugar ainda sobressaiu mais."
Como foi a relação com o Thierry Del Zotti [navegador] que não conhecia?
"Tinha dito no início que tinha um bom 'feeling' em relação do Dell Zotti e isso confirmou-se. Encontrei um bom navegador, talvez seja o meu navegador para o futuro."
Este Dakar ficou marcado por duas mortes, uma delas a de Fabrizio Meoni...
"Tal como toda a gente, soube apenas do sucedido no fim da etapa. O Meoni era uma pessoa com uma personalidade bastante forte, muito mediática. Entre nós era uma pessoa muito simpática, muito humilde e atenciosa. A sua morte afectou toda a caravana, principalmente os 'motards'."
Concorda que este foi um dos traçados mais exigentes das últimas edições?
"Concordo. Foi um dos mais exigentes pela quilometragem, pelo traçado das etapas e pela dureza das condições climatéricas que apanhámos."
O acordo com a Nissan era só para o Dakar. E agora como é que fica a sua situação?
"Agora vamos esperar pacificamente pelos convites que partem das marcas..."
Que possibilidades estão em aberto neste momento?
"Gostei muito da conversa que tive com o Sven Quandt [patrão da BMW] e tenho alguma expectativa quanto às decisões da Nissan. São duas possibilidades que estão em aberto.
Para lutar pelo pódio precisa de estar numa equipa de fábrica. É isso que deseja para este ano?
"Para ir mais além, para pensar no pódio teria de integrar uma equipa oficial, uma equipa onde houvesse a estabilidade de um contrato de dois, três anos e onde pudesse, de facto, começar a trabalhar o mais cedo possível para o Dakar. Um rali destes não se prepara em pouco tempo. Este ano gostava de ter um bom projecto, que me desse a oportunidade de chegar mais além ou pelo menos de partir mais optimista e confiante em relação ao resultado final."
Texto retirado do sitio O Publico
http://jornal.publico.pt/2005/01/18/Desporto/D51.html